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Eu cresci numa igreja que acredita que se praticarmos boas acções ganhamos o Céu. Quanto mais boas acções e quanto melhor formos como pessoas, mais merecedores somos do Céu e da bondade de Deus. Uma espécie de conta bancária com débitos e créditos, cada boa acção é um crédito, cada má acção é um débito, e se a conta ficar negativa, então, estamos completamente perdidos.  Só que este evangelho falso proliferou para todo o lado, já não é só um evangelho que se prega na igreja católica, mas também em igrejas ditas “evangélicas”. Este sentimento de boas obras está entranhado e em parte muito nas lideranças. O resultado deste falso evangelho é mau, primeiro quem acredita assim não está salvo, pois há muitas “boas pessoas” que fazem muitas boas obras e acções, mas estão a caminho da perdição eterna, o próprio Jesus disse: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demónios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. (Mateus 7:22,23)

Em segundo lugar, o fruto de acreditarmos neste falso evangelho são as comparações, as comparações têm sido o veneno nas igrejas, e isso é obra morta.

Existe em Portugal uma questão cultural que até hoje, muitos lidam mal com o assunto, o mau olhado! O medo da maldição! O medo que as coisas possam correr mal. É por isso que, para muitos, baptizar o filho(a) o mais rápido possível é visto como algo urgente e importante a fazer, para que a criança fique livre de qualquer tipo de “mau olhado”. O medo da inveja, o medo das pragas, o medo das doenças e o medo da falta de dinheiro, levam as pessoas a agirem de um modo que roça quase a insanidade. Lembro-me da minha mãe, ela tinha uma obsessão sobre este assunto medonha, chegava ao ponto de procurar pessoas chamadas “virtuosas” para benzer ou ungir a roupa interior de todos lá em casa. Inclusive eu andava com certos amuletos e saquinhos cheios de dentes de alho e cebola espetados com alfinetes na minha roupa interior, para afastar o dito “mau olhado”. Cheguei ao ponto de ter vergonha de ir para a escola, pois cheirava a alho por todo lado. Ridículo não é? Pois é. Tudo fruto de uma cultura portuguesa imersa no Catolicismo e Paganismo. 

Como já deu para entender, todos os meus textos são direccionados à igreja e à vida da igreja, muitos dos termos que uso nos meus textos é uma linguagem muito própria de igreja. Ouvimos muitas vezes a expressão “as ovelhas” referindo-se ás pessoas ou aos membros de uma igreja. As expressões:  “as minhas ovelhas” ou “vocês são as minhas ovelhas que tenho de cuidar...” ou ainda “ovelhas do meu pasto”, são expressões que ouvimos da boca de  líderes de igrejas ou pastores de igrejas (termo mais certo).

Existe uma cultura, errada, que está entranhada nos “ossos” da igreja,  de pensarmos que o pastor local é dono de um grupo de ovelhas, e o caso é tão sério, que acabamos por fazer o papel que não nos foi autorizado pelo Senhor.

A verdade é esta: Jesus é o Senhor da ceara e o Pastor das ovelhas (todas do mundo inteiro). Onde se inclui os pastores das igrejas, também nós somos ovelhas de Jesus Cristo! Como também somos barro nas mãos do Oleiro.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;
E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.
Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”.
João 10:27-29

"Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
João 10:7-9

Existe uma doença, que pensava eu, que era recente, mas infelizmente é uma doença desde a queda do homem, que se chama “Narcisismo”. Na verdade é uma praga que se espalha na sociedade toda e em todos os sectores, também nas igrejas. Resumidamente a definição de Narcisismo é o amor de um indivíduo por si próprio ou por sua própria imagem. Vem do mito grego de Narciso, um bonito jovem e indiferente ao amor que ao se ver reflectido na água apaixonou-se pela própria imagem reflectida. O termo "narcisismo" foi introduzido na psiquiatria, no final do século XIX.

O Jesus Cristo veio propor, é o oposto, é o “Altruísmo”. É um tipo de comportamento encontrado em seres humanos e outros seres vivos, em que as acções voluntárias de um indivíduo beneficiam outros. 

Recentemente ouvi uma história de um Instrutor dos SEALS, é uma tropa especial dos EUA, penso que, das melhores do mundo. Cada pelotão é constituído por 18 indivíduos, e o que mais os caracteriza é a unidade que têm, dificilmente têm baixas nas missões que fazem, são muito eficazes. Perguntaram ao instrutor qual é o segredo de tanta eficácia? Ele respondeu: “Cada pelotão tem 18 indivíduos, cada um tem a missão de cuidar das costas de outro individuo, aqui nos SEALS , temos que cuidar dos outros, não podemos pensar em nós próprios. Se alguém pensa nele mesmo, não pode pertencer aos SEALS”.

Estou cansado de ver certas coisas dentro da igreja de Jesus Cristo. Ninguém é perfeito, mas há coisas que têm de ter limites. Eu decidi que não posso mais calar-me, porque senão, se consinto com o pecado, sou tão pecador como quem o pratica. Já o apostolo Paulo dizia na sua carta aos Romanos que: “Os quais, conhecendo a justiça de Deus, que são dignos de morte os que tais coisas praticam não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.(Romanos 1:32).

Existe uma espécie de “máfia” espiritual que opera de uma maneira absolutamente manipuladora, que têm amarrado milhares de vidas a conceitos que destroem famílias inteiras.

Certa vez ouvi uma expressão interessante: “os ratos de sacristia”, a bíblia chama a este tipo de operação: “Espírito de Jezabel”.